Publicado por: Victoria em: Setembro 6, 2009
Desculpando o atraso, ai vai algumas linhas…
E a passividade e indiferença dos seus rostos que esperam impacientes chegar em casa, enquanto mochilas esbarram nas suas costas e pés desiquilibrados pisam na barra de suas calças. Escutando conversas alheias de desavisados, o trânsito turbulento que incomoda, e logo anseiam, sonham e preocupam-se ao longo do caminho, que parece mais longo à medida que as pernas mais entram do que saem… Mundos peculiares no mesmo espaço, as expressões e gestos incoscientes que dispersam, um turbilhão de informações e idéias contrárias que misturam-se com os cheiros de gente e luzes.
*Ônibus lotado numa tarde quente.
Publicado por: Victoria em: Julho 27, 2009
Sexta à noite em Brasília, salto, maquiagem, três amigos e um carro. Na frente do estabelecimento, Marquinhos é revistado pelo segurança e passa, David (ou será que era Diego, Diogo…sei lá) igualmente. Na minha vez:
-Sua identidade?
-Não trouxe.
-Não será permitido a entrada.
-Você acha que eu tenho cara de menor de idade?
-Não sei, não será permitido.
-É, não deu…
A Luanna que esperava a vez dela atrás de mim nem pra ter mostrado a identidade antes…poxa…
Publicado por: Victoria em: Julho 10, 2009

Desculpem o atraso pessoas, soube retardadamente da notícia. Infelizmente o mundo se despede de Pina Bausch, coreógrafa e bailarina alemã, que faleceu dia 30 de junho, aos 68 anos, na Alemanha. A artista soube que estava com câncer há apenas cinco dias.
Desde 1973 ela dirigia o Tanztheater Wuppertal. Entre as produções mais conhecidas estão Komm tanz mit mir (1977), Keuschheitlegende (1979), Café Müller (1978) e a versão de A Sagração da Primavera (1975). Em 2007, ela ganhou o Prêmio Kyoto, em homenagem a sua obra, que rompeu as fronteiras entre dança e teatro.
O mundo agradece a contribuição para a dança e para o teatro.
Até o próximo post com uma notícia mais feliz.
Publicado por: Victoria em: Julho 10, 2009
Sabe a danada, aquela que deixa o coitado dos seus pés cheio de calos, que nos faz ir da cozinha pro quarto fazendo grand jetés, onde assistir tv é hora de se alongar, que nos ensaios você se mata, está lá linda e maravilhosa e o professor falar “tá terrível minha filha!”, que na aula o mesmo professor puxa, estica, puxa e estica mais um pouco, e se soltar um ai, pelo ao menos um gemido, puxa e estica tudo de novo. Mas na hora da apresentação, sentir a ansiedade na colcheia, ouvir os aplausos do público e comemorar o trabalho de meses cumprido com os colegas-professores-colaboradores-pai-mãe-cachorro-papagaio já é uma satisfação. Vamos deixar de lado a beleza e mazelas dessa arte antianatômica, que eu quero falar de um livro aparentemente bem complexo, mas que explica com muita sanidade e seriedade a dança como pensamento do corpo (subtítulo do tal), aliando arte e ciência. É a tese de doutorado de Helena Katz, professora e crítica de dança, que ela resolveu publicar. Grifei coisas que expostas assim podem parecer aleatórias, mas fazem muito sentido no contexto de um corpo-intérprete-coreografia. Afirma que a dança não se subtrai a acidentes, dança como aquilo que vem dentro. Que é a ação que nos leva a não estancar, o corpo do simultâneo, da instabilidade, do caótico, dança é quando e depois. Corpo: trânsito permanente entre natureza e cultura, que aquilo que tem consistência dura, que parece estável, também se transforma. A instalação da dança num corpo deve ser entendido com liberdade e rigor. Não apenas o tolo eu do intérprete, mas também a coisa, todas elas, tudo aquilo que povoa o mundo. Um corpo simultaneamente estável e adaptativo, individual e geral. Corpo que movimenta o movimento que faz o corpo ser corpo. Dança é o que impede o movimento de morrer de clichê.
Quando eu terminar de ler o livro, falo mais um pouco do que Helena Katz me acrescentou.
Até já já.
P.S. Alongamento dói, puxa, estica, mas esta criatura da foto não tem junta.
Publicado por: Victoria em: Julho 7, 2009
Tem um video que eu gosto muito, super criativo e uma direção pancada. Chama-se Her Morning Elegance, do Oren Lavie.
Uma graça né? Mas o motivo do post é outro, se vocês assistem um mínimo de televisão que seja e ficarem atentos a um novo comercial da riachuelo, promoção moda casa, vão ver que ser original não é bem a praia deles, é um descaramento que só vendo, a tal propaganda é uma cópia do vídeo-gracinha. Problema que eu procurei em todo canto, youtube, google, site da riachuelo, twitter e nada de achar o bendito para mostrar, resta pedir que assistam e comparem.
Até breve pimpolhos.
Publicado por: Victoria em: Julho 6, 2009
Sendo o primeiro contato, é um cumprimento de “bem-vindos” (com hífen ou sem?) e um convite à visitas. Para saudá-los quero citar com muita humildade dois companheiros meus:
“porque não tens mensagem,
e teu conteúdo é tua forma,
e porque és feita de palavras,
e não sabes contar nenhuma estória,
e por isso és poesia, como cage dizia
ou como
há pouco
augusto
o augusto:
que a flor flore
o colibri colibrisa
e a poesia poesia.
(Campos)
“quando chove, eu chovo, faz sol, eu faço, de noite, anoiteço, tem deus, eu rezo, não tem, esqueço, chove de novo, de novo, chovo, assobio no vento, daqui me vejo, lá vou eu, gesto no movimento.” (Paulo Leminsky)
Até o próximo post crianças, se comportem!